Público marca presença no Dia da Luta Antimanicomial em CM

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O início foi de muitas reflexões e depois muitas gargalhadas. Foi exatamente assim que aconteceu com as pessoas que compareceram na praça João XXIII, em Cândido Mota, na noite do dia 18, quando se comemorou o Dia Nacional de Luta Antimanicomial. Realizado pela Secretaria de Saúde através do Centro de Atenção Psicossocial - Caps, o evento foi aberto pela coordenadora Fabiana Andrade, que disse como surgiu este dia.

 

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Em 1987 aconteceu o II Congresso Nacional de Trabalhadores em Saúde Mental na cidade de Bauru. Neste encontro, com mais de 350 trabalhadores de saúde mental, pacientes e familiares, aconteceu uma manifestação nas ruas da cidade pela extinção dos manicômios no país. O resultado ficou expresso no Manifesto de Bauru.

Após as palavras de Fabiana Andrade, o Grupo de Teatro ‘Matulão e Fabricantes’; apresentou a peça ‘O Comprador Morte’. Com atores interagindo com o público, as gargalhadas foram constantes. O prefeito Roberto Bueno, que prestigiou a apresentação, parabenizou a equipe do Caps e a companhia de teatro. “Como diz a frase nos cartazes e no palco da peça, ‘Loucos ou não, somos todos cidadãos’, portanto todos sem exceção merecem respeito, dignidade, liberdade e saúde. As palavras da Fabiana é o manifesto de Bauru mostraram tudo”, falou Roberto Bueno.

 

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Manifesto de Bauru

O chamado Manifesto de Bauru deu início a essa articulação dos municípios em torno do Dia de Luta Antimanicomial. A seguir, o documento, na íntegra:
“Um desafio radicalmente novo se coloca agora para o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental. Ao ocuparmos as ruas de Bauru, na primeira manifestação pública organizada no Brasil pela extinção dos manicômios, os 350 trabalhadores de saúde mental presentes ao II Congresso Nacional dão um passo adiante na história do Movimento, marcando um novo momento na luta contra a exclusão e a discriminação. Nossa atitude marca uma ruptura. Ao recusarmos o papel de agente da exclusão e da violência institucionalizadas, que desrespeitam os mínimos direitos da pessoa humana, inauguramos um novo compromisso. Temos claro que não basta racionalizar e modernizar os serviços nos quais trabalhamos.

O Estado que gerencia tais serviços é o mesmo que impõe e sustenta os mecanismos de exploração e de produção social da loucura e da violência. O compromisso estabelecido pela luta antimanicomial impõe uma aliança com o movimento popular e a classe trabalhadora organizada. O manicômio é expressão de uma estrutura, presente nos diversos mecanismos de opressão desse tipo de sociedade. A opressão nas fábricas, nas instituições de adolescentes, nos cárceres, a discriminação contra negros, homossexuais, índios, mulheres. Lutar pelos direitos de cidadania dos doentes mentais significa incorporar-se à luta de todos os trabalhadores por seus direitos mínimos à saúde, justiça e melhores condições de vida. 

Organizado em vários estados, o Movimento caminha agora para uma articulação nacional. Tal articulação buscará dar conta da Organização dos Trabalhadores em Saúde Mental, aliados efetiva e sistematicamente ao movimento popular e sindical. Contra a mercantilização da doença! Contra a mercantilização da doença; contra uma reforma sanitária privatizante e autoritária; por uma reforma sanitária democrática e popular; pela reforma agrária e urbana; pela organização livre e independente dos trabalhadores; pelo direito à sindicalização dos serviços públicos; pelo Dia Nacional de Luta Antimanicomial em 1988! Por uma sociedade sem manicômios!” Bauru, dezembro de 1987 - II Congresso Nacional de Trabalhadores em Saúde Mental.

 

 

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